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Submissão e liberdade feminina.

March 30, 2019

Resolvi escrever este texto em consequência de um comentário que escutei há alguns anos e de uma publicação que vi há apenas alguns dias atrás. Ambas manifestações foram de mulheres dizendo que não concordam com a submissão feminina dentro do BDSM.

 

Gostaria primeiramente de enfatizar que qualquer contexto dentro do BDSM segue estritamente as premissas de ser são, seguro e consensual. Todas as mulheres (homens também, porém este texto é direcionado ao sexo feminino) têm o absoluto poder de escolher em qual posição querem exercer algum papel: a dominadora; a submissa; a switcher (em algum momento domina, em outros se submete); a fetichista (não precisa assumir uma posição, tem fetiches não ligados a papéis de poder ou entrega dele); a sádica e a masoquista (sim, nem toda dominadora é sádica e nem toda masoquista é submissa, tenho o artigo “Dominação, submissão e sadomasoquismo” aqui no site que explica mais sobre o assunto).

 

Quando uma mulher escolhe se submeter, ela escolheu alguém que confia e admira para guiá-la a novas perspectivas de prazer, inclusive os não ligados a genitalidade. Ela abdica de algumas escolhas, e de fato entrega o poder dessas escolhas para a parte dominante. Mas é sempre importante lembrar: é uma escolha dela querer vivenciar isso.

 

Quando abordamos este tema da submissão feminina temos uma linha muito tênue entre a submissão por desejo de transcendência e a submissão por imposição e/ou síndrome de Estocolmo (quando ela se submete a uma pessoa abusiva porque criou um tipo de afetividade e dependência emocional). É claro que, infelizmente, tanto no meio baunilha (pessoas não praticantes do BDSM) quanto no próprio meio BDSM há inúmeros abusos. No caso dos falsos dominantes do BDSM, são pessoas que realizam abusos físicos, psicológicos e até sexuais.

 

Porém, aqui, chegamos num ponto muito importante. Quando a mulher que está se submetendo perde o prazer de exercer este papel, sente-se limitada em sua vida pessoal, social e profissional, perde a autoestima e cria medo do outro, claramente está sofrendo algum tipo de abuso. Ainda que não o perceba e reconheça.

 

O papel da parte dominante é guiar a quem se submete para que essa pessoa tenha suas percepções de prazer expandidas, consequentemente contribuindo para o aumento da sua autoestima e auto confiança.

 

Também é importante destacar que a mulher submissa tem o prazer ligado à entrega das escolhas, mas a mulher masoquista tem o prazer aliado a sensação de dor (o prazer associado a dor pode ser o tema de um próximo artigo meu). A submissa pode também ser masoquista. Mas a masoquista sente o prazer na dor por si só, não entrega seu poder de escolha. Então combina o desejo dessa experiência com quem está disposto a causar essa dor, e sente prazer nisso.

 

Submissão e liberdade feminina.

 Por Mistress Mahara.